19.8.13

Sobre as férias e principalmente sobre o fim delas

Henri Cartier-Bresson, Umbrella

Combine-se o facto de ser segunda com o de ser primeiro dia de trabalho depois das férias para muita gente e o tom que se nota neste Clínica a que às vezes se chama blogoesfera é parecido com o do Centro de Saúde lá da terra. 
Imagine-se os bloggers a chegarem de manhã, bem cedinho, fazendo fila aguardando que a senhora enfermeira abra a porta. Depois, sentados nas cadeiras, à espera que o Doutor Humberto chegue e comece a atender, ouve-se de um canto o Senhor Firmino a queixar-se dos bicos-de-papagaio que lhe roubam o sono. O Manuel da Justina, de perna esticada, fala das varizes e mostra as ditas, inchadas e azuladas. A Dona Albertina, mais sofrida, agarra-se às cruzes com medo que as roubem. E o Doutor Humberto, como sempre que nunca mais chega. Aquele homem é muito bom Doutor, que Deus o proteja, mas não sabe o que é um relógio.
 Dá tempo para a conversa mudar para o malandro, aquele malandro, que vejam lá, o Presidente da Junta de Freguesia de Santa Paulina, que deu o desfalque e fugiu para Angola, que são todos iguais. E entretanto, mais um ai da Dona Albertina, obriga a conversa a voltar à base, que é como quem diz, ao sofrimento que advém de ser segunda e regresso de férias.
Como costuma dizer o meu amigo Chico, do café: "Não voltes das férias à segunda; se voltares, não vás trabalhar; se fores, não mexas uma palha; se mexeres, que seja para dar ao burro do teu patrão". 
Por isso é que a gente vai ao café dele. O Chico é que sabe.