27.11.13

As Criaturas de Prometeu


Jean-Simon Berthélemy, Jean-Baptiste Mauzaisse, Prometeu cria o homem na presença de Atena, 1826

Perguntas, e bem, meu caro Chico, o que é que eu opino sobre o dia de hoje, sobre o que foi aprovado, sobre o que foi reprovado. Sobre se acho que nem tudo o que nos é colocado no prato é edível. E ao perguntares, lembro-me de Prometeu de Goethe (publicado em 1789), que questionava Zeus:

Eu venerar-te? E por quê? / Suavizaste tu jamais as dores / Do oprimido? / Enxugaste jamais as lágrimas / Do angustiado?

Sim, Prometeu, o que criou os homens, o que lhes deu o fogo, dizia ainda:

Formo Homens / À minha imagem, / Uma estirpe que a mim se assemelhe: / Para sofrer, para chorar, / Para gozar e se alegrar, / E para não te respeitar, / Como eu!

Somos dessa estirpe Chico, da estirpe das Criaturas de Prometeu. Sofremos, choramos, gozamos e alegramo-nos. Quanto a Zeus, de nós não espere veneração. Não Chico, não fomos criados para nos vergarmos.



Beethoven, Abertura de As Criaturas de Prometeu, Op.43, 1801