8.1.14

Na rebentação a apanhar as palavras para te construir

As ondas trazem as palavras flutuando como salvados. Destroços de amores desfeitos contra rochas num temporal distante: de paixões navegando à vista em águas revoltas. Atirados pelas correntes contra os adamastores do mar do fim bocas vorazes de negro. Sobram sílabas órfãs vocábulos com arestas rolando nas areias ansiando pela suavidade que é da pele. Busco as palavras tornadas transparentes por imitação da água. É com as palavras que sangram quando arrancadas da areia que te invento. Artesão meticuloso não adivinho que o tu que construo é o que comigo vogará no vazio que se segue à vertigem. Quando um escolho nos estilhaçar a nossa diáspora será declinada em vogais. Alguém tentará reconstruir-nos de palavras dispersas. Em vão.