18.6.14

As flores de Mrs Dalloway

José Eustáquio de Andrada, professor reformado de Literatura Portuguesa em Oxford, acolhe-se em Mdina (1) à sombra de Orchidée, a diva que lhe alegra os dias recentes e envia-me, para o outro lado do mundo, uma mensagem de correio electrónico escrita a tinta safira, saída do aparo vítreo da invicta S. T. Dupont Olympio.

"Meu prezado correspondente,

Orchidée esteve a ler aquele hebdomadário que publica na Internet e ao ver lá a foto do porto de Sidney veio saltitante como um dos descendentes do Skippy (2), que encontrará decerto aí nos fundilhos do mundo. 
"Diga-lhe que não se esqueça de ir a casa da Nicole, a Milsons Point (3)" solicita-me a minha Butterfly que lhe transmita. 
Sabe como é a Orchidée, ficou amicíssima da Kidman, desde aquela coisa lá da rodagem das Horas, do Cunningham. Afirma-se mesmo "BFF", numa terminologia que o nosso estimado Malaca não aprovaria decerto para o seu magnum opus.
Admitia eu que nesta idade os meus sentimentos seriam mais superficiais do que já foram, como diria o chorado Bernard Anthony (4), mas esta Orchidée, sacia de ambrósia cada hora do meu ocaso. 
O que o meu amigo precisa, para aliviar essa sua tez de Rasputine escanhoado seria, não diria uma Orchidée, que esta é exemplar irreproduzível, mas ao menos uma Coquelicot. Tal como Mrs Dalloway, está na altura de ir colher as suas flores (5).

Deste que o estima e considera.

J. E. de Andrada"

(1) Antiga capital de Malta, conhecida pelos seus monumentos bem preservados e pelo calor esmagador que por lá se faz sentir
(2) Um canguru, estrela de uma série de televisão australiana, que o professor terá visto nos seus tempos de universitário
(3) Local onde o escriba destas linhas não desdenharia fazer parte da vizinhança do casal K&K
(4) Antigo agente do MI5, estabelecido há muitos anos na Várzea de Sintra, onde se tornou conhecido como escritor obscuro
(5) O professor deturpa a frase de abertura mais famosa da história, mas sabe que o faz