11.6.14

Postal de Positano

Recebo um postal de José Eustáquio de Andrada, na sua bela caligrafia cuidada nos clubes de escrita artística de Oxford. O professor de Magdalen, que insiste em não se separar da S. T. Dupont Olympio até para escrever correio electrónico, fotografou as elegantes letras a azul safira e enviou do telefone o seu bilhete de férias. Diz-me ele:

"Meu caro, 

Estou tentado a dar razão ao estimável P. G. (1) que dizia: "Tudo o que na vida dá prazer, como alguém sabiamente observou, é imoral, ilegal ou engorda." 
Tirando ter evitado meticulosamente dar qualquer motivo aos Carabinieri para me visitarem nos modestos aposentos que me cabem, e à Orchidée, neste  hotel periclitantemente encavalitado na rocha (sabe que me contam que a Madonna já por cá pernoitou? o que é que isto lhe diz sobre a decadência dos meus gostos?), podia gastar aqui rolos de fotografias destas de telefone a tecer encómios às horas aprazíveis que passei desde que saímos do Restelo (ah, a Orchidée, meu caro, uma Butterfly, uma autêntica Gheorghiu (2)).

Uma vez que não vá parar ao Torel (3) e mantenha esse IMC que tanto lhe custou a atingir, veja se decide fazer qualquer coisa que lhe levante esse ar sorumbático.

Deste que o estima e considera.

J. E. de Andrada"

(1) O professor refere-se, claro a P. G. Woodehouse, que ele afirma ter conhecido num clube em Londres, ainda antes de se estabelecer em Oxford.
(2) O ilustre Andrada prefere notoriamente Gheorghiu a Callas no papel de Butterfly.
(3) Para o reformado de Magdalen, Torel ainda é sinónimo de prisão.