4.2.15

Homens do futuro

Paul KleeO homem do futuro, 1933
Assuntamos em torno das távolas redondas, debaixo dos tetos sumptuosos, enquanto os novíssimos magos descrevem, com as complicações e as safiras de um mecanismo de relojoaria fina, o futuro, à nossa frente. Em volta, as frondosas gravatas de aspeto seríssimo bebem as novas do que aí virá, com sorrisos alvos, mal contido alívio, levitação até. Terminada a adivinhação, saímos, repletos, deliciados, regalados: mesmo que aquele futuro se tenha desenrolado apenas naquele instante, sentimo-nos elevados. O futuro é belo, límpido, solar. Percebo o encanto dos videntes. Não nos enleiam por anteverem o presente. Embevecem-nos, por, instantaneamente que seja, obnubilarem o passado. E achamos, sim, candidamente achamos, isso incalculável.