8.4.15

O problema dos homens (que não é das mulheres)

— Oh, Moraes, você que é um homem lido, para além de investido — perguntava J., o editor deste pasquim a que ele dá o nome de weblog, ou, se muito insistirmos, blog — conhece as teorias do Baumeister, pois não conhece? “Outro, pensei eu, com a mania do Andrada, de que eu já li tudo o que há para ler na Biblioteca de Alexandria.”
— Não, oh J., não, mas não duvido que vá colmatar tal falha cultural da minha parte.
— Pois decerto sabe qual é o problema dos homens, Moraes, não sabe? Isso é um tema importante por aqui, nisto dos weblogs.
— Meu estimado J., há mais problemas nos homens, do que aqueles que são sonhados por nossa vã filosofia. Sei sobre muitos, não tenho a certeza de que são os mesmos em que pensa agora.
— Pois, meu caro, o problema dos homens é que a natureza joga aos dados com eles, mais do que com as mulheres, não sabia, decerto? Era Einstein que dizia que Deus não joga aos dados, não era? Pois abriu uma exceção com o género masculino, os homens foram feitos para serem descartáveis, diz o professor. Já as mulheres, pois olhe, todas fazem falta.
— Oh, J., isso não é lá uma dessas teorias românticas suas, será? É que já ninguém o atu…
— Ah, Morais, claro que não. Sabe o meu amigo, análises recentes de ADN mostram que oitenta por cento das mulheres que já existiram desde os tempos lá do Serengueti, conseguiram deixar descendência. Já os homens, foram apenas quarenta por cento. Ou seja, a maioria dos homens, que viveu desde o início dos tempos, não procriou. Apenas cadáveres adiados, sem a procriação. Nós somos um ramo da árvore dos que se multiplicaram e encheram a terra. E esses, foram os que não morreram por inépcia, inanição ou pelejando, ou que conseguiram, simplesmente, arranjar uma mulher que lhes quisesse dar filhos. Não é comovente, oh Moraes?
— Estou de lágrimas nos olhos, J. Siderado.
— Não seja cínico, Moraes. A natureza joga aos dados com os homens. Há mais homens gigantes do que mulheres, mas há também mais anões. Há mais génios, mas há também mais idiotas. Só por terem sobressaído e sobrevivido, os nossos tetravôs, nos doaram os seus genes, oh Moraes. Lá diz Baumeister, as sociedades não se fizeram opondo os homens às mulheres. Foi colocando os homens a competir uns contra os outros e dando aos que venceram a oportunidade de se reproduzirem. Os que perderam, olhe, dos fra...
— Está você a dizer, oh J., que o melhor é apressar-me, antes que me ponham para aí numa arena de gladiador?
— Pelo sim pelo não, o melhor era frequentar umas aulas de esgrima. Isso de se apressar era boa ideia, oh Moraes. Ouvi dizer que a concorrência anda terrível. Vai ver, atrasa-se e perde a vez. Um problema, Moraes.
— Pois é, J. um problema, um verdadeiro problema. Oh, Cristo!