17.5.15

Caderno Diário

Ah, domingo, finalmente, colocar o sono em dia, é a teoria; diria. Exceto, para quem tem um pássaro madrugador e errático no beiral. Seis e trinta da manhã, horas certas, tempo do meridiano de Greenwich, inicia o dito barítono o seu solfejo matinal, acordando-me como se de rebate a incêndio se tratasse: onde é, quantos são? Às sete em ponto, cala-se, extinto o fogo vocal, o ímpeto lírico, a memória de Tomás Alcaide. Silêncio total, finalmente, dormir, sonhar talvez, diz o príncipe da Dinamarca. É o dormes, digo eu. Meia hora de canto torrencial, deixam-me mais desperto que um banho glaciar depois da sauna. Aproveito para me inteirar do estado do planeta, correndo os jornais da porção do mundo que vai de Washington a Melbourne. Posso ser o zombie mais ensonado no raio de uma légua, mas sou o mais bem informado ao domingo de manhã. Graças ao raio do pássaro.