22.7.15

Salvaram-me a vida, ou perto disso

Ah, o cheiro dos livros ao entardecer; ah, o verão que leva à alteração de horários; ah, a paz das bibliotecas vazias. Tão vazias; tão confortavelmente vazias; tão vazias que quando cheguei à porta, estava fechada: eu dentro. Sem desespero. Imaginei uma noite a ler até que se esgotasse a luz do telefone; o espanto de quem me encontrasse de manhã; o nascimento da lenda; ou de uma anedota. Alguém passou, lá fora; a salvação do náufrago à vista; em minutos, um segurança benevolente abria-me a porta. Saio, livre, para o ar quente da tarde.