1.8.15

Mais cigarras de agosto

Esperavam-me, à entrada da praia, as cigarras, antes da descida. O concerto continuava onde o tinha deixado, quando saí de casa: notei a persistência melódica. Não sei se os homens que transportavam as suas asas as ouviam — suspeito que já estavam sintonizados nas boas vibrações dos Beach Boys, ecoadas pelos altifalantes do bar. Mais à frente, abrigados das areias rodopiante, dois tocadores, um de viola, outro de guitarra portuguesa, ofereciam um fado ao mar onde, em cima das ondas, dançavam homens vestidos de negro, embalados, pareceu-me, pelo ritmo da música, nos braços do vento. Lembraram-me anjos bailando. Quando, mais tarde, regressei à entrada, ao canto das cigarras, um rapaz que chegava nesse instante, trazia estampadas na t-shirt as palavras Why don’t you blog about it? Sim, porque não? Este agosto está cheio de cigarras.