14.3.16

Um dia, quando eu já não esperar, regressar-me-á a vontade de ler ficção. Pegarei nalgum tomo daqueles que me tentam nas visitas tri-semanais às livrarias, afundar-me-ei no sofá e embrenhar-me-ei horas perdidas, como quando lia Hemingway de Paris a Kilimanjaro. Mas agora não. As histórias, diz Gottschall, são simuladores da vida real, preparam-nos para as situações que enfrentaremos no escoar da clepsidra dos dias. Não lendo ficção, não leio histórias. Não simulo, o que significa que os dias me colhem impreparado, ingénuo até. Viverei ou morrerei, figurativamente falando, pela minha espontaneidade. Até voltar a ler ficção, levarei esta existência de fogo-fátuo. Depois de a voltar a ler, provavelmente também.