18.4.16

Tudo uma questão de perspetiva

Já nem me lembro onde li — isto é, se procurar bem, descubro — que nunca se ouviu tanta poesia e que, na verdade, também nunca se leram tantas páginas de livros. É tudo uma questão de perspetiva. Toda a gente ouve poesia, e muitos sabemos dezenas de poemas de cor: basta que estejam acompanhados de música. A poesia está nas canções que transportamos, aos milhares, para todo o lado — e ouvimos em qualquer altura. Quem isto dizia, acrescentava também que os sete volumes de Harry Potter fazem duas vezes o tamanho da Guerra e Paz, que é um livro de dimensão apreciável. Poucos escritores, se é que alguns, terão atingido, ao longo de toda a vida, a fortuna que Joanne Rowling, a autora da saga de Potter, conseguiu a meio da sua. 

Enrolado nestes pensamentos no trajeto para casa, conjeturei: será melhor incensar Tolstoy e ignorar Rowling ou saber de isqueiro na mão o Homem do Leme e nunca ter lido um poema de Fiama? E não encontrei ainda a perspetiva certa.