26.6.16

Daqui a pouco

Daqui a pouco irei ao café do Chico, e ele receber-me-á de braços abertos e passo dançante, falará do jogo que eu não vi, do golo in extremis que ele viu, falaremos de Inglaterra que ele nunca viu e de Espanha, que vimos ambos. Falaremos do mar que nos falta, a ele também, e para compensar, dar-me-á um café mais forte — o truque é simples, basta um breve puxão no dispensador, mais meia dose de café num café normal, e eu receberei o café diretamente no cérebro como uma injeção de adrenalina. E talvez veja o Sandro e a Lara, e talvez o Chico me pisque o olho, dizendo sem dizer, que o Chico sabe tudo, sabe mais que um presidente e um assessor em conjunto. E comerei um pastel de nata, e se a fome de doçura apertar, talvez um segundo, e a mulher do Chico trará depois os rissóis ainda quentes, e no meio de dois beijos, um para cada face, que não há poupanças no que importa, dir-me-á para não me queimar — nos rissóis, evidentemente. E eu deixarei o meu melhor sorriso com ambos e sairei para o sol um homem novo. Mesmo que seja o mesmo, saio sempre novo, do café do Chico.