19.7.16

Navegador

O barco balouçou ao primeiro pé, e estabilizou miraculosamente ao segundo; equilibrou-se. O sol, no horizonte, assinalou-lhe o caminho. Assestou a mão em cunha sobre os olhos, para melhor avaliar o percurso longo; soltou as amarras; desfraldou as velas. Sentiu o estalar das madeiras, ouviu o som de chicote do cordame. Encheu os pulmões com o ar do molhe, como se tivesse toda a viagem para o respirar. Olhou para trás: em terra ficou apenas um homem de vago olhar: ele próprio. Olhou em frente — e não mais se olhou.