Da sua torre de controlo do outro balcão, Dona Aureliana viu-me dirigir à máquina do café no balcão principal. De onde estava despachou as ordens de comando ao operador de serviço da máquina, jovem imberbe ainda nas peculiaridades da clientela: «É um café cheio, sem açúcar, para o doutor.» Aquela fala lá dela, que atravessou o equador, ecoou límpida no café, majestática, diria. Quase ouvi o mancebo dizer mentalmente: «Sir, yes, Sir.» Peguei no café e desta vez tomei-o quente, desculpará a leitora, antes de escrever estas linhas inconsequentes. Talvez tenha eu obedecido às ordens imaginadas: «Que está a fazer em vez de tomar o café quente, hein?» Ah, a beleza do respeitinho.