20.1.17

A vida, o Universo e tudo o resto

Hoje acredito que o Universo nos conduz os passos mesmo quando estamos distraídos e não temos o mapa interno ligado. Eu conto à leitora o que se passou para ver se não concorda comigo. Já tinha tomado café e eu nunca em circunstância alguma tomo dois cafés de manhã. Exceto quando há alguma exceção passe a redundância é uma regra escrupulosamente cumprida. Hoje seria só um e era o já tomado ao nascer do sol ou melhor ao nascer da luz para as minhas pálpebras.

Acontece que. Eu andava a congeminar no que escrever à leitora e então pensei de mim para mim que o café da Dona Aureliana é uma fonte de temas qual musa torrencial, de tal modo que este escriba esquece os seis graus que enregelam os dedos que não dançam apenas coxeiam sobre o teclado. Já chego ao ponto, um pouco mais de paciência agradece-se.

Acontece que. Chego ao café a pensar no que escrever à leitora e ao cruzar a porta Dona Aureliana já vai despachando ordens de chávena cheia para o doutor. Mas hoje ao lado do balcão está o sorriso de Dona Yara em trajes coloridos de mãe recentíssima. Eu creio abrir também o meu sorriso mais rasgado, o mais satisfeito de a ver ali tão radiosa. Quer ver minha princesa doutor? Ora pois claro que quero Dona Yara, não quero eu outra coisa. Dona Yara traz a alcofinha e retira cuidadosamente a manta até que surge a face tranquila e adormecida de Soria bebé. E não tem ainda fala que atravessou o equador como a da mãe mas tem um sono tranquilo a princesa. Soraia linda linda, Dona Yara. Obrigado doutor, é tão linda não é? E omito à leitora sabendo os riscos que corro todos os pormenores das dormidas e comidas e banhos e outros feitos de Soraia linda. Corro riscos porque a leitora iria adorar saber e eu bem sei e faço caixinha e é uma maldade. Assumo.

Mas há um momento de enlevo em volta de Soraia linda, eu e Dona Yara e Dona Patroa. E Dona Yara está feliz e eu fico feliz pela felicidade de Dona Yara que a felicidade é contagiosa como se sabe. 

Acontece que. Estou a escrever na esplanada. Creio que ainda disse mais uma vez a palavra linda antes de vir enregelar para aqui. O Universo conduz-nos os passos disse acima e cada vez estou mais convicto disso mesmo sem me ter tornado cabalista. Ou sequer de estar em vias de. Fosse eu cumprir as minhas regras e não teria tido este momentinho de felicidade e estaria a contar outra história qualquer com os dedos transformados em cristais de gelo. Assim é a cara linda de Soria que deixo à leitora para adivinhar porque não a sei descrever. O Universo conduz-nos os passos mas delega-nos a tarefa de decifrar os resultados. Tarefa que tento cumprir enquanto ainda consigo mover as mãos. À leitora deixo o preenchimento dos espaços em branco.