3.1.17

Andando até que o fôlego dói

Posso andar nos caminhos da minha vida até perder o fôlego e sem sair do mesmo lugar. Nem lhe chamo uma viagem de circum-navegação: essas pressupõem movimento sobre uma Terra que também ela gira. Mais adequado será dizer que vivo numa fita de Möbius, impávida na sua face única. Parto sempre do ponto onde cheguei, chego sempre ao ponto de onde parti. Não me impede de viver por vezes a ilusão de movimento, mas observando sempre as mesmas estrelas, não tardo a aperceber-me da minha imobilidade real, mesmo que não aparente.