27.1.17

As horas rituais

Hoje, por circunstâncias que aborreceriam a leitora até ao limite de um bocejo disfarçado, tomei o café da manhã já era tarde e o da tarde, tarde [não sei se me faço entender]. Ou seja, por causa das tais circunstâncias já só vi Dona Aureliana de passagem, Dona Patroa nem a vislumbrei, não tenho minudências inconsequentes para escrevinhar aqui, o café a desoras alterou-me os ritmos e os biorritmos, uma perturbação, um transtorno. Apanhei chuva quando saí desprevenido e sol quando saí camuflado. Apanhei filas de trânsito quando precisava voar e voei quando esperava caracolar. O café devia ser vendido com aviso encorpado: A falta de café às horas rituais pode alterar seriamente a existência das gentes. É que com coisas sérias não se deve brincar, pois não concorda a condescendente leitora?