1.1.17

Dia da tomada de posse

Saio em busca do rio e depressa descubro que estou desabituado do frio. Não sou apenas eu, a avaliar pelas faces transidas ocultas sob cachecóis e capuzes felpudos. O ano novo trouxe consigo a navalha afiada de um vento tão fino que entra pela malha dos poros e cria cristais de gelo por debaixo da pele. Eu, que andei a escrever diatribes contra o ano que passou, vejo-me na contingência de ter uma subtil saudade dele: afinal, ainda ontem me senti em outono tardio. Este entrou com inverno na mão, no dia da tomada de posse. Está na altura de voltar a dar uso à chaleira de ferro forjado. O café habitual que me perdõe: dois mil e dezassete já me está a puxar é para as infusões de folhas orientais. Um ano com falta de chá, este, leitora.