21.1.17

O rigor da sombra

Sento-me no café numa mesa ao lado da janela e ao lado do sol na mesa. Não preciso mergulhar no sol, limito-me a permanecer na fronteira rigorosa. Ontem ou anteontem li uma frase de um canteiro numa entrevista antiga, antes a sombra do sol para desenhar as linhas no chão que uma régua. É subvalorizada a sombra. Sem sombra não haveria retas em estado nativo na natureza. A sombra devia pertencer à tabela periódica. Elemento leve e perecível e essencial. Também de sombra vivo, descubro. E com pequenas epifanias como esta me delicio como com o café intenso e quente de hoje.