19.1.17

Planos para descongelar ou uma viagem antes de ser iniciada

Dona Aureliana nem perguntará se quero café. Irá logo se dirigindo para a máquina em passo de dança, rainha Nzinga por detrás do balcão e senhora dos domínios infindos da esplanada. Aqui está seu café doutor, dirá com aquela fala cantanda que atravessou o equador. Está calor em sua terra, direi eu mais do que perguntarei. Pura retórica. Claro que estará mais calor em terras da Dona. Os braços de ébano dela não o denunciarão, nem um arrepio será visível abaixo da manga curta tal como não é abaixo da manga curta do Senhor Variações de alva pele que não atravessou o equador. Deve ser das máquinas do café ou do café ele próprio, quem sabe se o pó negro não guarda o calor das terras de onde provém num encantamenta qualquer que ainda não decifrei. Dona Aureliana saberá. Se a leitora quiser saber de mim estarei a tirar cafés atrás de um balcão, encalorado de manga curta também eu. É o plano. Só tenho que sair dos meus vinte e dois graus e desfazer-me destas camadas de lã que impedem o calor do corpo de se esvair pelos golpes de lanceta do ar gelado. Se me mudar para junto da máquina de café serei tão feliz quanto Dona Aureliana e o Senhor Variações aparentam ser. Vai-se ver são aparentados também. E eu quero é ser parente deles.