29.1.17

Tão iguais, tão diferentes

O homem na mesa ao lado no café é muito diferente de mim, ninguém nos confundiria mesmo que vistos através de um vidro fosco ou de um bloco de nevoeiro. Mas ambos temos uma coisa em comum: um porta-minas metálico e pesado para cilindros espessos de grafite. O meu acompanha-me noutros dias mas não ao domingo. O dele, em cima do livro que tem na mesa, fez companhia ao meu olhar durante o tempo de um gole de café. Usa-o como esticador para o livro aberto e usa-o, oh céus, para sublinhar. Eu até leria aquele livro, vi-lhe a capa antes de ser escancarado com o auxílio daquele torpedo gráfico. Mas nunca o sublinharia, como já bastas vezes por aqui destaquei. As semelhanças começam e terminam no formidável porta-minas. Em tudo o resto, ninguém nos confundiria.