20.1.17

Todos os belos cavalos

Tu terminas o dia e terminas a semana e terminas o ciclo. Sabes que começarás outro, é o que te faz bater o coração e encher de sangue quente as veias. Paras e revês o dia. Não há dias comuns apenas dias extraordinários. Lembras-te de todas as horas tão cheias de minutos quanto os olhos de luz quando fitam o sol de frente. Pensas que viste a face do sol e não cegaste. Recordas os poemas que leste ontem e a que chamaste solares porque te trouxeram luz nos filamentos das palavras. Hoje precisas de poesia forte e não apenas de poesia luminosa. Foi durante a viagem de regresso que tiveste esta ideia de poesia forte. De uma poesia em que encontras as palavras soltas como cavalos selvagens. Hoje precisas dessa poesia que surje em tropel e te arrasta num estampido. Vais à procura de bandos de palavras que galopem livres. Quando as encontrares galoparás lado a lado com elas. Hoje podes.