7.2.17

Da existência formal

No meu pulso um coração perfeitamente desenhado bate indicando-me que estou vivo. Um descanso. De relance, vejo as estatísticas das minhas vivências de hoje com um clique num botão. Conforta-me o pragmatismo da máquina. Ando, respiro, fervilha-me o sangue nas veias, e ela acumula números que lhe dão uma imagem linear da minha existência tranquila. Rejubila com a minha condição, regozija-se quando me movo para lá das suas parcas expetativas. Congratula-me até, generosa. Vista pelos dois ou três indicadores que a máquina do pulso me dá, a minha vida é perfeita. Se eu me guiasse pelos seus padrões, até me poderia considerar feliz. Estatisticamente feliz. Pois que mais posso almejar?