5.2.17

Força de gravidade

De todos os livros que estão pelas estantes tantas, regresso sempre a três ou quatro. Posso estar a ler o que estiver no dia mas lá vou procurar refúgio, quando um parágrafo me desilude, ou uma página me falha. Normalmente estão juntos, para ser mais fácil saciar-me, temporariamente que seja. Há um que entra, há um que sai, mas a estabilidade começa a ser granítica. Ancoram-me. Se um dia doar os restantes não creio que sinta falta deles. A força de gravidade reside naqueles poucos, mais do que livros, diria antes vórtices habilmente encadernados.

[Isto digo eu, que me recordo com precisão microscópica de todos os livros que emprestei e não encontraram o caminho de volta. Bem prego eu, em jeito de Frei Tomás.]