6.2.17

O café mais forte do café

Quero o café mais forte que tiver, Dona Yara, digo eu, é ainda cedinho. Dona Yara abriu aquele sorriso lá dela que atravessou o equador e entrega-me um café hercúleo, ou assim o imagino, à laia de efeito placebo. Está aqui doutor, o mais forte que a máquina dá. Eu, grato, reparo que Dona Yara está mais nova. Sim, a nova mãe está uma mãe nova. [E a pequena Soraia está ótima, respondendo em antecipação à pergunta que a leitora tem em mente.] É claro que não digo a Dona Yara: A senhora está mais nova, se bem que ela talvez não se importasse de ouvir. É verdade, ser mãe rejuvenesceu Dona Yara, mas eu não posso dizer, senão teria que dizer também a Dona Aureliana que ser tia honorária também a tinha rejuvenescido, o que é igualmente verdade. E depois, o que pensaria Dona Patroa, avó honorária se eu não dissesse o mesmo? Já viu a leitora o dilema? Nem com o café mais forte do café ainda o consegui resolver, repare bem. Mas ao menos, estive completamente acordado a manhã toda.