8.3.17

Ao menos vinte e quatro horas

Conheci e conheço algumas que usaram esfuminho sobre as linhas das suas vidas e assim se esvaneceram. Apagaram-se. A vida construiu-se para o marido, os filhos, os pais, quando se tornam filhos também. Elas, sempre no plano segundo. E quando os netos surgem, é nos netos que projetam a vida que é delas, mas que cedem em empréstimo sem juros. Esquecem-se de existir. Os ritos de passagem dos homens são exteriores. Os das mulheres, interiores. As etapas da vida nos homens são difusas, nas mulheres, precisas. Peter Pan é homem porque nunca poderia ser mulher. Há um significado público, de domínio comum, para o dia da mulher. E há um íntimo, secreto até. É o dia para que as mulheres, especialmente as que se apagaram para o mundo, se lembrem de si próprias, se o puderem fazer. Ao menos por vinte e quatro horas, sejam elas e não o que outros, todos os outros, esperam delas.