24.3.17

De bandeja

Eu conto à leitora. Irrompo pela porta do café e Dona Yara vai logo dizendo: Bom dia doutor [ouça-se aqui um ponto de exclamação com ênfase na última sílaba]. Cafezinho? Pois claro, Dona Yara, cheio por favor. Pouso o implemento com teclas e ecrã onde escrevo estas missivas à leitora em cima do balcão e Dona Yara pousa o café ao lado e vai dizendo, com aquela fala lá dela que atravessou o equador: Cuidado com seu computador, doutor. A placa de alumínio que se abre aqui à frente, quando está fechada parece uma bandeja, é certo. Mas uma bandeja daquelas de transportar missivas, com entrega por mordomo de luva branca: A letter has just arrived for you, sir(*). A versão cortês de You got mail. Aposto que os senhores sentados lá com vista para o Pacífico pensam nestas coisas, eles pensam em tudo. Eu é que ainda não tinha pensado nisto, em boa verdade.

[* Como diria Jeeves.]