30.3.17

Frágil, frágil

Mesmo restaurante, mesma hora. Os mesmos dois irmãos, a mãe. Perdi-me eu a falar de irrelevâncias inconsequentes noutra mesa, lá na minha conversa. Perdi-os a eles de vista e só voltei a vê-los quando passei ao lado da mesa, junto à saída. A mãe estava muito atrasada no almoço, notei então. O avanço deles era imbatível. Tinham retirado meticulosamaente as espinhas e a pele ao peixe, e disposto os fragmentos brancos no prato, em porções tão diminutas que até a mãe conseguiria comer. Ao ritmo dela, que não é o deles. Eu almocei o mesmo, eles estavam a almoçar o mesmo, a cena e os protagonistas eram os mesmos. Apenas mudaram as mesas e um ou dois pormenores sem importância no contexto. A história repete-se essencialmente sem alterações.