29.3.17

O exercício absurdo

De um olhar livre
se vive
António Ramos Rosa

Faço o exercício absurdo de reconstruir o dia e mais do que as palavras tento reencontrar as cores. Há o verde da relva e o amarelo do bico do melro e o azul traçado de branco do céu e o lilás das flores pendentes. Talvez ao reconstruir fiquem apenas as manchas, talvez um dia caiba numa tela onde as tintas se revoltaram em vagas brilhantes. Talvez seja esta a forma de aprisionar a luz em grandes lagos polícromos quando o olhar se liberta da tirania das linhas precisas. Talvez
a vida seja a cor,
e a luz a vida,
devida.