23.3.17

Um jogo perdido

Com aquela fala cantada lá dele que atravessou dois continentes, vem perguntar: Sir, do you want some? Ainda não almocei, não me parece excelente ideia comer bolachas de chocolate a esta hora, declino, mas sei que ele vai insistir. Sei da sua generosidade persistente: da forma como deixa que o pacote fique ali a pairar à altura dos meus olhos, à distância breve da minha mão. E ele sabe que eu vou aceitar, porque abri precedente, cedi à tentação e comi já duas destas bolachas antes. É um jogo que não posso ganhar. Mas que continuaremos a jogar, eu sei. Ele a oferecer, eu a recusar, pouco convicto. Um amável braço de ferro que me condenei, irremediavelmente, a perder.