5.3.17

Urge no domingo à tarde

O carro à minha frente detém-se na margem da passadeira. Paro e aguardo. Nada acontece na passadeira, não há peões, na rua ninguém anda: apenas dois carros parados. Olho de novo, a passadeira continua vazia. Deve haver um bom motivo, abstenho-me de quebrar o silêncio. Ultrapasso. Ao passar, olho, tento entender a causa da paragem intempestiva, desnecessária do meu ponto de vista. Mas o meu ponto de vista tem um ângulo morto. A causa premente é o beijo do condutor e da passageira. É domingo, final da tarde, a luz escoa-se, rápida. Não pode haver outra justificação, melhor, para um beijo urgente.