8.4.17

A felicidade secreta

Ao vê-los há pouco ao sol junto ao rio achei-os felizes. Não é isso que me dizem os estudos onde aos portugueses falta a felicidade que aos outros sobra. Não me cabe ajuizar do grau de felicidade individual de cada um dos que por lá andavam. Não realizei nenhum inquérito, não validei nenhum modelo. Estou apenas a assumir que aqueles que vi há pouco ao sol, passeando lentamente depois do almoço de sábado, seriam secretamente felizes, ainda que publicamente infelizes. Ou que seriam felizes que bastasse, que para pior antes assim. Os portugueses são mais felizes do que afirmam, quando lho perguntam, quero crer. Experientes e desconfiados, sabem no entanto que se se afirmarem felizes, mais cedo ou mais tarde, a felicidade será proibida ou, pior, taxada. Assim escudam-se. Deitados ao sol, banhados em azul, ainda com sabor a bom café nos lábios, são infelizes. São absolutamente infelizes, graças a Deus.