21.4.17

A magia matinal

Dona Aureliana acaba de me salvar o dia, antes mesmo de me sentar aqui na esplanada, saiba a leitora. É o café mais forte que tiver Dona Aureliana, que hoje o dia é longo. Eu sou o primeiro cliente da manhã, as máquinas de Dona Aureliana ainda fumegam um nevoeiro com aromas daqueles que atravessaram o equador, como a fala da Dona. Aqui está doutor, muito bem tirado este. A modéstia de Dona Aureliana é lendária, mas a verdade é que tem toda a razão, muito bem tirado este. E eu escrevo estas linhas à leitora, sozinho na esplanada: A esplanada é toda para si, doutor, dizia a Dona há meio café atrás. O outro meio está aqui à minha frente, a olhar para mim, e para a leitora, naturalmente.

*

E entretanto saio para o mundo. Despeço-me: Bom dia, Dona Aurliana. Tenha um bom dia, doutor. Dona Aureliana está a cantar para a máquina do café canções da terra lá dela, aquela abaixo do equador. E não admira que o café saia assim. Sente-se em casa, só pode ser, sente-se em casa.