12.4.17

Antes que esfriasse de vez

O café que eu pedi cheio, vem com uma altura de dedo e meio. Um café forte não tem que ser minguado, e eu quero o melhor dos dois mundos, mais cafeína e mais bebida fumegante, que aguente quente o tempo pelo menos de eu começar a escrever esta missiva à leitora. Mas o jovem do outro lado do balcão não é Dona Aureliana, menos ainda o Chico. Não usa a mesma escala de medição da chávena que eu. O café era cheio, digo eu, com reticências vagamente desapontadas na voz. Eu vou encher, devolve-me o jovem do outro lado do balcão, desconhecedor não só da termodinâmica do café como da minha própria termodinâmica. Quando o tema é café, fervo em pouca água, saiba a leitora. Como, encher? Depois de tirado? Encher com quê? Café tirado é sagrado, lá diz o ditado, e se não diz, devia dizer. Escrevi a primeira frase desta missiva à leitora, bebi o café de um trago antes que esfriasse de vez. Quando inventarem a minha esplanada em forma portátil, leitora, não saio de lá. É certinho.