13.6.17

Ganha sempre

«Chamei o pássaro.» diz Mia Couto, «E o pássaro comeu o céu.» O pássaro do lado de fora da janela trina desaustinadamente. O céu não terá comido, e eu não o chamei. Mas trina ele como se me chamasse. Estão mais de trinta graus lá fora. É um jogo de paciência: ele desafia-me, eu resisto. Mas o pássaro, que me deve vigiar e anotar os hábitos, sabe que cederei. É uma questão de paciência, num jogo que estou condenado a perder. Eu contra um pássaro: e o pássaro ganha sempre.