18.6.17

Instagrafias

O pássaro anda numa onda de vir picar o pio e zarpar. Irrompe em cantorio, um pico lírico e ala, para outras paragens. Outras passaragens, diria.

Melhorou o panorama da esplanada. Mais afoitos à sombra. É verdade que o céu está mais sombrio. A sombra puxa a sombra, por cá. É isto que nos diferencia de outros povos, também.

Diz-me que eu estou elegante por devoção e ele elegante por obrigação. E sinto-me na obrigação de ficar envergonhado por não o ter reconhecido, assim, tão eufemisticamente elegante.

Leu decerto mais livros que eu e não gostou do filme. Fiquei contente por ter lido menos livros que ele: eu gostei. Não lendo tanto, m'espanto às vezes [outras m'envergonho, como diria Sá de Miranda e eu confirmo no parágrafo anterior].

O cão tem menos de meio metro. Enganei-me nas contas. E o olhar do homem há pouco, vazio. Nem uma tatuagem no ombro no horizonte.

Tenho anotado no caderno: «Almoça-se hoje, onde?» perguntaram eles quando chegaram ao restaurante onde vou há anos. Perguntaram para dentro da cozinha, quando tanto lugares estavam vagos na sala. «Aqui na cozinha é que não», respondeu a cozinheira, explicitamente pragmática. Tenho «isto» anotado no caderno. Senão como é que enchia tantas páginas em branco?