13.6.17

Podem sair da sala

«E agora as crianças podem sair da sala» anuncia Jerónimo Pizarro antes de ler ao ar livre, com aquela fala lá dele que atravessou o equador, o soneto dos insultos, de Fernando Pessoa. Recordei-me de Mozart e dos seus versos escatológicos e escabrosos. Mozart sabia mais de composição que Pessoa, e este mais da arte de versejar que o vienense. Mas a insultar, Mozart tinha a opulência do Império Austríaco, e Pessoa, a decrepitude do Português. A queda dos impérios é precedida pela esvaziamento dos seus insultos, até se tornarem irrisórios, olvidáveis, pífios, em suma.