7.6.17

Rolar, rolar

Asak chegou ao topo da duna e bebeu um chá de menta. O sol do ocaso alongou-lhe a sombra até à duna que começava imediatamente a seguir. Levantou-se, enrolou o corpo sobre si mesmo, fechou os olhos e deixou-se rolar pela areia, sentindo-se acelerar, rocha feita de gente, velozmente azul. Com o impulso, atravessou o pequeno vale e subiu a duna seguinte. Como um milagre, mas Alá sabe mais, atingiu o topo. Em pé, mirou a silhueta do bule e do copo onde havia tomado o chá. Rolar nas dunas, pensou, é como atravessar os dias. Estamos no pico, estamos no vale, voltamos ao pico. Ao vale tornaremos. É a descida de uma duna que faz ultrapassar a seguinte. Asak foi buscar o chá de menta para a duna que havia primeiro subido a rolar. Olhou as seguintes. Numas rolaria, noutras não. Mas haveria de beber chá de menta na duna do horizonte.