28.6.17

Uma ameaça ao gnomo

Os livros desaparecem-me para um limbo qualquer até que num dia o gnomo sub-reptício que os levou os devolve para um local mesmo em frente aos meus olhos, daqueles de sonora palmada na testa e insidiosa interrogação: porque é que eu não pensei nisto? Anda um livro meu no limbo há uns meses, é um livro pequenino, mas tem valor sentimental. Já revirei tudo o que havia para revirar nas estantes e o livro permanece regaladamente nas mãos do tal gnomo, que eu bem o imagino, o vira-casacas. Fará daqui a nove dias quatro anos que coloquei aqui no blog [ainda lhe chamava blogue, então] um poeminha de lá. A leitora não tem forma de comprovar, devido a esta estapafúrdia mania minha de enviar para rascunho os posts passados de prazo [chamar a isto um conceito vago é o eufemismo dos eufemismos], mas pode aceitar a afirmação à confiança. Em desespero de casa e de causa, hoje deparei-me com o livro numa estante de livraria, e o livreiro disfarçou o melhor que pode o riso discreto quando me viu bailar de alegria, aceitou de bom semblante uma nota e um nif, e o equilíbrio bibliográfico foi reposto. Daqui a oito dias se, entretanto, me lembrar, publico o mesmo poema, mas desta vez copiado do livrinho novo. Isto é uma promessa e ao mesmo tempo uma ameaça ao gnomo. Ai dele se me fizer passar uma vergonha aqui em frente à leitora, não é mesmo?