2.7.17

Duas senhoras amorosas

Ao meu lado esquerdo, três passarinhos disputam uma migalha sobredimensionada. Por cima, na grande árvore, outros, certamente primos saciados daqueles, trinam ao despique melodias que, quero crer, já encantavam Eva. O céu azula como obra de um klein que não folgasse ao domingo. A brisa suavíssima adormece-me o calor, numa dolência que se podia prolongar tarde dentro. Ficaria aqui, neste dulcíssimo embalo. Na mesa em frente, duas senhoras amorosas, por quem as largas décadas de vida não deixaram vincos que uma maquilhagem cuidada não elimine, de sonantes pulseiras e louríssimas permanentes, alongam-se numa conversa pormenorizada sobre sistemas de vigilância dos paióis militares, debatem como peritas a cotação, no submundo, dos lança-granadas.