3.7.17

Índice global de felicidade

Ouvindo os pássaros a cantar ontem de manhã, debaixo de um sol coalhado pelo verde da árvore de copa grande, e de tarde, brindando ao mar largo em frente, perguntei-me porque é que Portugal surge em octogésimo nono no índice global de felicidade. A amostra é reduzida, o processo sofre de enviesamentos diversos, mas gente com ar desinfeliz, apenas a que vi nos carros em sentido contrário na hora do regresso a casa, perante a fila, uma boa meia hora, talvez uma hora de viagem, depois das horas de adoração solar. Será de quê, qual a razão, para estarmos imediatamente abaixo do Líbano e imediatamente acima da Bósnia e Herzegovina neste índice? Só me ocorre que o inquérito foi feito no pico do inverno, quando a praia é apenas uma recordação e não ainda uma esperança, que possa ter sido, quem sabe, feito no verão, mas quando a perspetiva de chegar à praia é de uma hora de carro para dez quilómetros de distância ou, talvez, antes da tomada do café matinal, dado que em Portugal a chave da ignição do dia é uma chávena fumegante. Ou isso, ou que os portugueses mentem a toda a boca, escondem a felicidade o melhor que conseguem, não vá ser taxada, penhorada, vendida para reduzir dívidas. Exibem os carros, os fatos de banho garridos, os corpos de praia, mas a felicidade, essa, fica bem guardada. A felicidade é demasiado valiosa para que dela mostrem um sinal exterior que seja.