17.7.17

O caso do tio embaraçoso no jantar de Natal

«A experiência examinou as hipóteses de que as pessoas mais velhas se baseiem mais em estereótipos, e apresentem mais preconceitos, do que as pessoas mais novas, por causa de um défice na capacidade de inibição de informação. De modo consistente com as predições, as pessoas mais velhas baseiam-se em estereótipos mesmo quando são instruídas para não o fazerem, ao contrário das mais novas. As pessoas mais idosas têm mais preconceitos que as mais novas, e estas diferenças na forma como se baseiam em estereótipos e preconceitos são mediadas pelas alterações que a idade causa na capacidade de inibição. Uma vez que as pessoas mais velhas indicam um desejo mais forte do que as mais novas de controlar as respetivas reações preconceituosas, estes resultados sugerem que uma falha na capacidade de inibição pode tornar as pessoas mais preconceituosas do que pretendem ser.»

Sabe-se, pelo menos desde há dezassete anos, quando William Von Hippel e colegas publicaram o resultado acima transcrito, que a idade avançada causa alterações a nível da função executiva do cérebro que modificam o modo como introduzimos preconceitos e estereótipos no nosso discurso. Sim, é uma anomalia de ocorrência natural. Aplica-se ao tio embaraçoso no jantar de Natal, ao escritor frontal e despeitado ou ao médico ilustre e desbocado. Aplicar-se-á a cada um de nós, assim tenhamos vida e saúde para lá chegar.

[Von Hippel, William, Lisa A. Silver, and Molly E. Lynch. "Stereotyping against your will: The role of inhibitory ability in stereotyping and prejudice among the elderly." Personality and Social Psychology Bulletin 26.5 (2000): 523-532.]