14.7.17

Um fio condutor

Não acordo sem um café, não adormeço sem um poema. Por aqui nestas páginas, a arte de beber café é a mais cantada, e os versos, apareçam de que forma apareçam, ocupam muito do espaço em branco da tela de fundo. Faltava-me um fio condutor entre a abertura do dia e o cerrar da noite, que agora achei. Diz Daljit Nagra, poeta britânico: «Poetry is an espresso shot of thought.» Ou seja: a poesia é um expresso de pensamento. Eu sabia da potência dos grãos torrados, conheço a história de Balzac, que chegou ao ponto de ingerir o café pulverizado, para o tomar no estado mais puro possível. Ainda não estou aí. Mas o nexo entre o café e a poesia está feito. Agora que se descobriu que beber café prolonga a vida, não me custa admitir idêntico benefício na poesia. Imagine-se o efeito composto dos dois, reforçando-se mutuamente. Imagine-se a longevidade, talvez rivalizando com Matusalém. Com tanto café e tanta poesia, os primeiros cem anos serão canja. O que farei nos segundos?