14.9.17

O corpo, o luxo, a obra

Sento-me na mesa junto à janela, não na esplanada, que este é outro café, e em torno de mim os computadores abertos nas mesas, os telefones freneticamente digitados, as conversas em fundo sobre quotas e propostas e clientes e cotações, o mundo a irromper por aquele templo de sossego. E eu abro exceção, levo apenas o livro que ando a ler, bebo o café quente, leio umas páginas do desenlace intermédio  que me intrigava, fecho o mundo lá fora e sinto o corpo, o luxo, a obra, como diria Herberto: um luxo, aqueles dez minutos, somente o corpo e a obra. Deus, se existe, está nas pequenas coisas, lá está.