5.5.18

Uma tremenda injustiça

No século vinte, escreveram, na língua portuguesa falada deste lado do Atlântico, três — e apenas três — grandes poetas que foram igualmente capazes de alinhar prosa tão cintilante, consistente e universal quanto a respetiva poesia: Pessoa, Fiama e Herberto.

É uma tremenda injustiça, admito. É uma tremenda injustiça que o talento seja distribuído de forma de tal modo assimétrica que ao pegar no livro agora publicado de crónicas de Herberto, eu ache que Herberto, que decerto as escreveu para serem lidas com o horizonte temporal de um dia — o horizonte do jornal — merecia, só por elas, figurar no rarificado universo dos grandes prosadores do século.

Já o sabíamos de «Os passos em volta» e de «Photomaton & Vox». «em minúsculas» confirma-o: a obra de Herberto é uma maiúscula na prosa portuguesa.