27.6.18

A voz do excesso

Não possui a palavra uma imediatez carnal, não é ela umbigo e boca, ritual de uma ressonância entre um e outro, o um no outro, como uma lâmpada na pele?

O desejo da escrita não será o desejo de percorrer um corpo poro a poro, uma língua com a sua língua?

Não é a língua a voz do excesso intraduzível, o reconhecimento do mundo como excesso?

[De «A voz do excesso», um poema de António Ramos Rosa.]