11.6.18

Água

Sigo abaixo da superfície, vendo as bolhas esparsas, etéreas, que ascendem das minhas mãos, trânsfugas da gravidade. A água respira tão lentamente que juraria estar adormecida e eu avanço em silêncio para não lhe transtornar o repouso, como se tivesse com ela um trato implícito, um pacto — não nos perturbaremos. Chego ao extremo e perscruto a superfície azul, onde tiras de luz dançam com a tranquilidade do que é inevitável: o meu rasto desapareceu, como se nunca ali tivesse estado. Imperturbada, a água é a medida visível do presente.