10.6.18

Céu branco

«Se regressar alguma vez, será pelo canto dos pássaros», afirma Eugenio Montejo. No canto onde ouço os pássaros pela manhã, hoje apenas se escuta o silêncio, que vibra como uma corda de violino abandonada pelo arco. Este céu branco, um céu transportado de uma ilha para se ancorar por cima da terra, parece absorver tudo, tudo levar num vórtice vertiginoso e invisível; assim se foram os cantos e a música e as vozes distantes. Ao contrário de Montejo, não preciso regressar, porque não me movi; mas se ficar, é pelo canto dos pássaros.