25.6.18

Privilégio

Estão sete clientes na fila para o balcão dos bolos, das torradas, dos pequenos-almoços coloridos e apenas eu em frente à máquina de café solitária que repousa a noventa graus de Dona Aureliana. Diz-me a Dona com aquela fala lá dela que atravessou o equador: Doutor, já vou aí levar seu café. E vejo a Dona atarefada, e até penso: Dona Aureliana, não se incomode que eu mesmo tiro. E tirava, que os cafés que me saíam da máquina antes da invenção das cápsulas de alumínio costumavam ser potáveis, refinadamente cremosos. Talvez tenha mão para o café para além de ter palato, alvitro. Mas contenho-me, deixo o mundo seguir o seu rumo normal e a Dona serve mais dois clientes do balcão a montante antes de vir entregar à minha guarda o melhor café da cidade. Os restantes clientes esperam. Não sei o que fiz para tal privilégio merecer, mas não o renego. Assim posso vir mais cedo aqui enviar novas destas minudências inconsequentes e essa oportunidade vale tudo. Pois não é assim, leitora?